O Desgaste sofrido por cuidadores no decorrer de sua missão

Tempo de leitura: 4 minutos

Cuidado significa atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado. Cuidar é uma entrega, é fazer para o outro. Acontece que na maioria das vezes o cuidador zela tanto por quem está sendo cuidado que esquece dele mesmo, esquece que a cima de tudo, deve estar bem, fisicamente e psicologicamente, para poder cuidar, isso se chama autocuidado.

A tarefa de um cuidador é complexa, permeada por sentimentos diversos e contraditórios, tais como: raiva, culpa, medo, angústia, confusão, cansaço, estresse, tristeza, nervosismo, irritação, medo da morte e da invalidez. È importante que estes sentimentos sejam compreendidos, pois são sentimentos comuns na relação cuidador – paciente/familiar (ainda mais aflorados quando se trata de um familiar pela grande elo emocional envolvido).

O fato de muitas vezes o paciente não colaborar durante algumas rotinas do cuidado (Banho, alimentação, medicamentos) provocam uma grande frustração no cuidador. A melhor maneira para compreender todos estes sentimentos e diminuir esta frustração é colocar-se no lugar de seu paciente/familiar, é ter empatia. O paciente que exige cuidados na maioria das vezes encontra-se fragilizado, acamado ou com limitações.

Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente o outro indivíduo. Exercitar a empatia é a melhor forma de aliviar a tensão emocional. Outra dica importante é procurar conhecimento teórico sobre as patologias do paciente, quando entendemos que algumas alterações em seu comportamento estão relacionadas a sua patologia facilita nossa aceitação perante algumas situações.

O desgaste emocional e psicológico sentido pelo cuidador não está relacionado somente ao cuidado do paciente, mas também no relacionamento com os demais familiares do paciente. Neste sentido quem mais sofre é o cuidador familiar. Todas famílias possuem suas divergências e muitas vezes estas divergências são acentuadas quando envolve decisões relacionada ao paciente. Decisões como estratégias de cuidados, revezamento nos cuidados, financeiro (gastos com medicamentos, fisioterapia e etc) são alguns exemplos.

A melhor forma sempre será o dialogo com bom senso, tendo em mente que todas divergências deverão ser deixadas de lado visando o bem em comum, que é, a melhor qualidade de vida do paciente. É importante que o cuidador, a família e a pessoa a ser cuidada façam alguns acordos de modo a garantir uma certa independência tanto a quem cuida como para quem é cuidado.

Com a finalidade de evitar o estresse, o cansaço e permitir que o cuidador tenha tempo de se autocuidar, é importante que haja a participação de outras pessoas para a realização do cuidado. Caso o revezamento no cuidado não seja possível entre os familiares a contratação de um profissional será necessária. Se a contratação não for possível uma alternativa seria recorrer à uma instituição, como um Centro de Convivência do Idoso ou Hospital-dia, instituições estas onde o paciente passará o dia e no fim da tarde retornaria para casa, assim as famílias teriam um melhor apoio e a pessoa a ser cuidada seria mantida em casa convivendo com seus familiares, mantendo os laços afetivos. Infelizmente sabemos que nem todas as cidades contam com este tipo de serviço.

Ainda sobre o cuidador, algumas dicas podem ajudar a preservar sua a saúde:

O cuidador deve contar com a ajuda de outras pessoas, como a ajuda da família, amigos ou vizinhos, definir dias e horários para cada um assumir parte dos cuidados. Essa parceria permite ao cuidador ter um tempo livre para se cuidar, se distrair e recuperar as energias gastas no ato de cuidar do outro; peça ajuda sempre que algo não estiver bem.
É fundamental que o cuidador reserve alguns momentos do seu dia para se cuidar, descansar, relaxar e praticar alguma atividade física e de lazer, tais como: caminhar, fazer ginástica, croché, tricô, pinturas, desenhos, dançar, etc.
EM RESUMO, SEJA SEMPRE CARINHOSO, COMPREENSIVO, BUSQUE CONHECIMENTO E SAIBA NEGOCIAR.